Autenticação

Metrologia 4.0: um caminho longo, mas promissor

Especialistas apontam que a nova revolução industrial está modificando a relação entre a profissão e o mercado.

As demandas da Indústria 4.0 estão impactando a maioria das áreas. A revolução está presente – ou tende a estar -  desde a educação até as mais desenvolvidas tecnologias. Com a metrologia não seria diferente. Porém, antes de analisar as vantagens e as desvantagens da Metrologia 4.0, é preciso compreender quais são as suas características e principais novidades.

“Com o advento da Indústria 4.0, novas tecnologias estão surgindo, prevendo uma série de sensores interligados aos processos produtivos e gerando uma imensidão de dados. Serão novas medições, com novas precisões e exatidões exigidas pelos metrologistas.” – afirma Emiliana Margotti, Analista de Projetos da Fundação CERTI. Ela também explica que a metrologia deverá sair do campo operacional para atingir um patamar estratégico dentro das empresas. Com a mudança no perfil do profissional, “a formação mecanicista não será suficiente, haverá necessidade de um profissional com visão holística, capaz de atuar sinergicamente com tecnologias e pessoas”.

FONTE: Presys Instrumentos e Sistemas

As evoluções tecnológicas têm como premissa a melhora na performance e na eficiência do equipamento ou da ação. Dessa forma, a segurança e a precisão da Metrologia 4.0 serão o diferencial nos próximos anos. Margotti ressalta que a automação do processo produtivo limita a intervenção manual e, por isso, diminui o erro humano. Contudo, ela nega que a falha será completamente eliminada: “Por mais que teremos inúmeras inteligências artificiais, predições numéricas, dentre outros tantos mecanismos, não acredito que conseguíramos o ideal do Crosby de ‘zero defeitos’”, afirma a analista.

Outra preocupação envolvendo os rumos da Metrologia 4.0 diz respeito ao mercado de trabalho. Assim como em outras áreas, os profissionais se questionam sobre as demissões em massa que resultam em uma grande demanda de “mão-de-obra física” e uma baixa especialização técnica necessária para desenvolver novos equipamentos. “Quando surgiram as primeiras fábricas se achava que todos os profissionais seriam substituídos pelas máquinas. Sabemos que isso não ocorre. É preciso avaliar as necessidades do mercado – e lembro que aqui no Brasil essas são as mais distintas, desde estatística básica até medições avançadas”, explica Emiliana Margotti. Ela também aponta que os cursos focados em metrologia deverão atender essas lacunas formando profissionais aptos a trabalhar no novo mercado de trabalho.

“Sabemos que esse é um caminho bastante longo e árduo. Aqui a grande maioria das indústrias ainda são classificadas como 2.0, ou seja, baixa infraestrutura tecnológica instalada. São inúmeros os desafios. Não há como só um braço dar conta de todo esse trabalho, é necessário que o mercado, o Estado, e a Academia articulem ações conjuntas se quisermos, enquanto economia, ser competitivos nesse novo paradigma industrial”, analisa Margotti.

De acordo com o presidente executivo da Rede Metrológica do Estado de São Paulo, Celso Scaranello, os profissionais irão necessitar de um “alto nível de capacitação e conhecimento” para interagir com a Indústria 4.0. Contudo, ele afirma que as normas não serão drasticamente alteradas, pois o maior impacto será na relação entre a metrologia e o próprio laboratório. Durante o evento “Metrologia para a indústria 4.0”, realizado em novembro, Scaranello apresentou quais são os assuntos que deverão ser levados em consideração para montar o perfil deste novo profissional. “Eles precisarão ter uma excelente capacitação técnica em instrumentação e tecnologia de sensores, eletrônica analógica e digital, condicionamento e transmissão de sinais, redes de comunicação e automação robótica”, ressalta.

Além disso, o presidente executivo da REMESP explica que a demissão em massa não é algo que irá ocorrer de uma hora para outra. Segundo ele, a automação já vem demitindo desde a década de 1980 e o maior volume já foi atingido. “Hoje, a indústria já está reduzida”, ressalta.

Questionado sobre como a Indústria 4.0 está se integrando no país, Celso Scaranello aponta que a área de saúde está se mostrando a mais desenvolvida e qualificada para a implementação das novas tecnologias. Porém, conclui que o Brasil ainda está longe de atingir as metas: “Nosso território é extenso e atuamos em diversas frentes. Mas, uma vez aderida aos nossos laboratórios, a metrologia 4.0 irá se desenvolver como nunca. É uma tendência que não tem volta”.